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Cegos assistem a ópera com tradução simultânea

Cegos assistem a ópera com tradução simultânea
A audiodescrição é feita por voluntários com um equipamento de tradução simultânea.

Uma ópera é um grande espetáculo, não só de música, mas de cenário, de figurino, de postura dos artistas. Como traduzir isso para quem não vê?

Eles chegam com seus cães-guias e logo se acomodam. Os amigos inseparáveis também respeitam o silêncio do teatro. Antes de começar, o servidor público Daniel Monteiro lê o programa da ópera em braile. Desta vez, ele vai entender a peça sozinho, sem a ajuda de um acompanhante.

“A diferença é ter autonomia”, compara Daniel Monteiro.

Audiodescrição é feita por voluntários com um equipamento de tradução simultânea.

“Falamos as ações mais expressivas, aquelas que realmente a pessoa precisa para entender o que está acontecendo”, explica o audiodescritor voluntário Carlos Eduardo Marçal.

“São informações sobre entrada e saída no palco dos personagens, figurino, cenário, ações. Você complementa muito daquilo que eles estão ouvindo”, completa a consultora e roteirista de audiodescrição Lívia Motta.

Para os deficientes visuais, essa é uma iniciativa que deveria servir de exemplo para o setor cultural, porque é fundamental para atender este público. Existe um nicho de mercado que poderia dar retorno financeiro e ainda não foi explorado.

“Se tivesse audiodescrição veria todos os filmes no cinema”, garante a assessora jurídica Daniela Ferrari Kovacs.

A apresentação da ópera foi a primeira com audiodescrição em São Paulo. A “Cavalleria Rusticana”, criada há mais de um século na Itália, traz uma história de amor, traição, vingança e morte.

As vozes do elenco e a orquestra revelam a dramaticidade do enredo trágico. Mas saber o que se passa no palco faz muita diferença para quem não vê.

“Tenho o mesmo acesso que outras pessoas, no mesmo momento”, comemora a consultora de inclusão Jucilene Braga.

“Você encontra pessoas sem paciência para descrever o que está acontecendo. Com a audiodescrição você está com o seu fone e escuta”, diz a estudante Marcela Mahayana Zednic.

O espetáculo emociona, principalmente os que nem sempre têm acesso à arte.

“Interessante como uma orquestra de vozes consegue passar um sentimento”, aponta o autônomo Roger Marques.

A ópera será acompanhada pela audiodescrição em mais quatro apresentações até domingo (2).

Fonte: G1

 
 
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